Um profeta caminhava por uma estrada de pedras, debatendo sobre a vida. Por cada resposta que não conseguia abonar dava um pontapé numa pedra e atirava-a para a berma da estrada. Ao inverso quando este encontrava uma resposta para uma das suas intermináveis questões apanhava-a e metia-a no saco que trazia às costas. A ideia do profeta era quanto mais peso tivesse sobre os ombros mais sabedoria abarcaria.Certo dia, subiu a uma montanha onde morava um velho muito pobre mas muito experiente e inquiriu: Olá meu velho, tenho sede de respostas e o meu saco ainda agora começou a encher. O velho retribuiu: Não queiras que as respostas surjam todas de uma vez, pois quando já não puderes com o saco, morto estarás. E o profeta indagou: Então de que me serve andar a interrogar se não puder ver o saco cheio enquanto estiver vivo. E o velho respondeu: Nem todas as questões são úteis e nem todas as respostas são acertadas. Primeiro terás de escolher as perguntas para que possas responder a todas elas. Por outro lado não precisas de andar com um saco às costas quando simplesmente podes colocar pequenas pedras no bolso a fim de evitar danos físicos. E o profeta novamente questionou: Mas não consigo parar de controverter, é mais forte que eu!O velho então impugnou: sim, quando parares de responder podes parar de procurar mas para isso terás de altercar qual será a melhor solução, pois só existe uma refutação para tanta questão e cada contenda pode ter inúmeras respostas. O profeta ficou confuso e triste e o velho disse-lhe: é nos momentos de maior tristeza e confusão que encontramos a resposta que precisamos saber. Logo, o que te surgir agora será a melhor retorsão pois não questionaste, limitaste-te antes a responder. Então o profeta esboçou um sorriso e aliviado acomodou: Como chegaste a essa resposta? Ao que o velho lhe respondeu: quando me questionaste acerca do assunto. As respostas não existem fora de nós, mas dentro de nós. Só respondi de acordo com a minha natureza, pois nem a idade nem a experiência me fazem perder a essência. Ela nasceu e há-de morrer comigo, pois só quem consegue responder sem questões pode ser livre e feliz. O profeta mas o velho sublimou: agradece primeiro a ti próprio, pois foste tu quem decidiste vir ter comigo sem questionar. Quando desceres a montanha não te curves para apanhar nenhuma pedra, pois elas poderão ser necessárias para decorar a estrada e tu jamais precisarás de respostas que respondam a questões nulas. Haveis esgotado as perguntas com tanto latim e o simples agradecimento não é o fim de nada. A palavra não é um facto nem o facto uma evidência, nem mesmo todas as teorias do mundo poderão ser aplicadas porque ditas. O que se diz não se escreve e o que se escreve é uma ficção. Só aprenderás com a experiência e só a experiência te facultará as ferramentas da entropia que abrirão o cofre da mente mágica. Por isso meu caro, não foi o teres respondido a nada que te fez profeta, mas sim por um momento teres deixado de questionar sobre o nada, pois é a vida que responde às tuas questões e não tu que questionas a vida
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